28 de setembro de 2022

Aforismo V

Aforismo V.....

Para não surtar da última quinta eu com os outros eus, sem conseguirmos dormir, nas últimas noites assistimos tudo que pudemos que foi produzido por Pasolini – o fantasma - percebi a complexidade daquele que talvez tenha sido um dos últimos intelectuais públicos. Uma complexidade que emerge banhada não só de antíteses, como vida individual e coletiva, mas também de aparentes contradições entre conservadorismo e o mais alto grau possível de subversão, entre uma sacralização do milagre do mundo e um ateísmo marxista – “cristianismo ateu” eu diria... ,mas Recalcati disse isso antes. Pasolini critica o conluio entre um novo fascismo e a então crescente civilização do consumo, e sonhava com um tempo mítico, onde o mistério do mundo se expressaria, por exemplo, no desaparecimento dos vaga-lumes. Assim, se o “Novo fascismo" não se funda sobre um regime policialesco que nega a liberdade individual, mas sobre um regime paradoxalmente permissivo que retira todo o sentido da vida em nome de uma ilimitada promessa hedonista. Até as poetas reproduzem esse hedonismo vazio. Minha filha nunca viu um vagslume. O desaparecimento dos vaga-lumes é o símbolo de um tempo em que o mistério ainda habitava o mundo. O mundo é desmistificando pela mercadoria, e até o amor se confunde com mercadoria. Pasolini é o retrato de um conflito não resolvido entre vida e história, corpo e razão, indivíduo e comunidade, mito e desmitização; as metamorfoses do poder e a resistência da imagem e das palavras.

23 de setembro de 2022

Aforismo IV

O problema é que assim de repente, no intervalo de um fim de uma tarde e início de noite, todos os sentimentos gentis e bons que eu nutria por ela deixaram de fazer o menor sentido. Isso diante de todas as últimas revelações e também por todas as últimas condutas confessas e fatos. Para os atentos, como nós, há em tudo uma ou mais lições. Aprendi que é assim, paixão, amor, afeições, apagam-se como chama de uma vela. Talvez seja Deus. Talvez  seja ele  que tem um ritmo demasiadamente acelerado e goste de atropelar a mediocridade e mesquinhez dos sentimentos humanos. Há uma crise enorme em cada uma das psiques, sendo que é dessa crise rítmica, corporal, dançante, que surge as compreesões daquilo que nós realmente somos: ruínas de um deus que dentro da gente insiste em não morrer, aquele que também evita que todos nós sejamos de fato humanos, no mais pleno sentido da palavra. Deus não é amor, é ódio, é tormento, tortura e medo. Essa é a condição divina e humana. A contradicão maior que há é aquela que existe entre um deus que não se conhece e a humanidade que não se deixa completar. Doçura é fachada, há dentro de cada um de nós um deus terrível, o importante é não despertá-lo. Alguém precisa dizer isso para ela e para o Sidarta Ribeiro. A "Revolução da Esperança" e "A Arte de Amar" de Eric Fromm, até puderam enganar bem por um tempo, mas no fim são igualmente leituras inúteis. Já "Eros e Civilização" é uma obra assertiva. Quando o "eu" voltar espero não esquecer jamais dessas cousas de hoje...Esquecendo-as, que eu faça um bom chá para reavivar tal memória.
 

23 de março de 2022

Aforismo III

 Aforismo 

III

Antonin Artaud, o expoente escritor e teórico do 'teatro da crueldade', redigiu muitas coisas a respeito da loucura. Houve extensos diálogos entre Artaud e seus médicos psiquiatras, nos quais Artaud defendia sua crença de que era vítima de invocações vudú, questionava a conduta coercitiva de aprisionar pessoas em manicômios, mas de forma aparentmente contraditória exigia seu direito de se isolar de outras pessoas. Em resposta a isto, alguns de seus psiquiatras invocavam com insistência a necessidade, para Artaud, de se conformar com a sociedade a qual até eles mesmos eram também críticos. Mas, em determinados momentos finalizando os diálogos, vinha sempre a advertência: 'Se falar de novo de enfeitiçamento, Sr. Artaud, levará 65 eletrochoques'. Deve haver um sentido nas 'afirmações delirantes' de Artaud, pois de fato elas representavam uma profunda realidade da vida, uma realidade que, anos após sua morte, nós os atentos apenas começamos a apreciar: ele tinha mais a dizer com relação à loucura do que todos os livros e pesquisas publicadas de Psiquiatria. Talvez a dificuldade de Artaud consistia no fato de que ele via demais e falava demais sobre a verdade. No fm de sua vida, tinha se curado. Não é talvez excessivamente absurdo afirmar que, com muita frequência, é quando as pessoas começam a ficar mentalmente sadias e reconhecer a verdade nos fatos (na história!), com ou sem ajuda de estimulantes como os usados por Benjamin, Freud ou Bob Marley (rs,rs,rs) que elas acabam entrando nos hospitais de doenças mentais.











18 de março de 2022

O mito da Deep Web

Um dos muitos serviços da Internet é a Web, esse negócio com sites que você acessa pelo navegador, que fez 30 anos recentemente e cujos endereços costumam começar com "http". Apesar de ser apenas um dos muitos protocolos existentes na rede, é mais utilizado que todos os outros.

Há uns anos, um cara chamado Mike Bergman, percebeu que, apesar de existir uma quantidade imensa de informações na Web, a maior parte dela não é pública, depende de credenciais de acesso. Um exemplo seria o Facebook, que só pode ser acessado por quem tem conta nele. E mesmo que tenha, o usuário tem acesso a uma pequena fração do total de informações, que ficam em perfis ou grupos fechados. Nem o Google consegue fazer buscas aqui. Além da maioria de outros sites que também exige login e senha de acesso, outros exemplos são as empresas que disponibilizam conteúdo na Internet com controle de acesso (a maioria delas). A esse mundo inacessível de informação ele deu o nome de Deep Web, a web profunda. Sim, o Facebook é um site da Deep Web. Suas pastas no Dropbox ou aquela página secreta da sua empresa, que você acessa com login e senha, também.


Além da Web, existe uma infinidade de outros protocolos na Internet. Alguns deles são usados para a comunicação com privacidade, direito humano fundamental reconhecido pela ONU e muito usado, por exemplo, por dissidentes políticos. Existem algumas redes minúsculas, com pouquíssimos usuários, que precisam dessa segurança pra fins mais diversos, desde ativistas, jornalistas, informantes, militares, a gente comercializando drogas (sem a necessidade de capangas armados). Esse tipo minúsculo de rede, com conteúdo bem limitado, é chamado de DarkNet. A mais conhecida é a rede Tor, com quase 2 milhões de usuários, o que corresponde a menos de 0,05% dos 4 bilhões de usuários da Internet.

Da confusão entre os dois termos, veio o mito, de que existe este lugar tenebroso e gigantesco, onde o Estado bonzinho não consegue nos proteger das pessoas malvadas. Pra aumentar a ignorância, a mídia acrítica, com seus jornalistas bestas*, faz matérias sensacionalistas e recheadas de mentiras.

*Bestas que não conseguem sequer pronunciar o nome correto da arma medieval também conhecida como balestra: "bÉsta"

11 de março de 2022

Aforismo II

Aforismo

II
Esse troço velho está confortavelmente instalado em Madri. Talvez seja para os desatentos pensarem: "é uma relíquia, uma obra de arte magnífica". Mas, para além disso, o que ela hoje pode nos dizer? Para os atentos em meio a uma vida saturada de telas, cores, realismos, com as mais belas e desejadas mentiras digitalmente aprimoradas e sacanamente sublimadas, quais os significados possíveis de Guernica?
Picasso em 1937 certamente desejou despertar algo em nós. Despertou e continua despertando. O impacto, o horror e o sentimento de que não havia (e ainda não há!) sentido algum na guerra. Fez isso somente com esses caracteres estáticos em branco e preto. Talvez o que ele intencionava despertar fosse também a humanidade. Mostrou a desgraçada guerra através do cubismo, para salvaguardar o sensível. Homens e mulheres daquela época entenderam? Não sei. Sei que hoje a guerra está em todas as suas cores. Sua explícita realidade está em todas nossas telas e o que a maioria dos homens e mulheres de nosso tempo sentem? Nada!!!
Intervenções armadas estavam entupindo os cinemas, o horror da guerra foi transformado em entretenimento (para crianças e adultos idiotas) e os mais diversos super heróis da Marvel ou DC Comics são quase mais reais que a fome que nos assola. A devastação brutal da guerra intermediada por humor e romance. Nossos sentidos foram entorpecidos com dezenas de ameaças de destruição do planeta e todos hoje temos o super poder da insensibilidade, a frieza burguesa é o fio condutor de nossas emoções. Nada nos assusta, em nosso imaginário o mundo quase acabou e foi salvo dezenas de vezes.... logo nada mais é capaz de nos assustar, afinal haverá um beijo ou uma piada no final.
Em minha última viagem, fui comprar um chapéu. Havia uma tapeçaria reproduzindo Guernica pendurada na parede. Meu Jesus Cristo, haviam ali mulheres sofrendo, casas incendiadas, crianças mortas, pela bagatela de 500 dinheiros. E diante de mim e do vendedor um pai pedindo comida. Houve alguns desses pais e mães pedintes em toda viagem. Quem os viu, ou quem se importou? Para mim é mais do que pornográfico, cenas impossivelmente degeneradas. Hajam chás para enfrentar e suportar a realidade. Mas voltando à tapeçaria em frente a loja de chapéu. Ali eu poderia dizer para as pessoas próximas, "cuidado, espere um pouco", ou gritasse: "não olhe isso, é uma arma contra sua frieza!!!" Mas se o fizesse me internariam novamente.

Bem, no final das contas é exatamente isso o que os tiranos querem, que nos habituemos com a morte, sofrimento, miséria. Nada pude fazer, a não ser me silenciar, salvar minha pele e ceder um almoço que talvez tenha feito alguma diferença para o dia daquele pai pedinte. Assistencialismo, doação, nada disso é útil eu sei, eu sei que na verdade até atrapalha...
Todavia o que ainda me importa é tentar entender como manipulam todos. Há algo neles mais inteligente do em que nós, sem dúvidas. Nós que temos preguiça de pensar e de viver. Por sorte, e por acaso, talvez do nosso lado ainda esbarremos em quem gastando a vida seja capaz de entender aquele maldito quadro de Picasso, que aparecendo numa tapeçaria ainda é capaz de vez ou outra aborrecer alguém.
Eles podem ainda dominar e ser a nação, sem fronteiras, mais poderosa do mundo. Poderão conquistar corações e mentes, jogar seus exércitos ali, lá e acolá, poderão se impor pela força, mas nunca poderão se meter e ofuscar os pensamentos daqueles que entenderam Picasso.



José Melo, 11 de Março de 2022

3 de fevereiro de 2022

Aforismo I

Aforismo


I


Há uma insana busca de tudo nesse presente quando pela primeira vez na história de nossa humanidade tudo é possível mas nada que seja transformador acontece. Hoje tanto os anjos que temem uma encarnação dolorosa e não conhecem o prazer e a dor, quanto nós, seres carnais e cotidianos que estamos meramente sujeitos aos impulsos do prazer e da dor, estamos fadados a sofrer o déficit de uma vida plena. "Não há vida correta na falsa" afirmou Adorno na segunda metade do século passado, hoje penso entender o significado disso. É fácil perceber o quão impossível é experimentar a felicidade, da solidão ou da união, e o amor fati. Não há mais cantos de uma vida plena enquanto todas se entorpecem com as telas, "bolhas", algoritmos ou quaisquer outras drogas que nos ofereçam. Somos fantoches, marionetes mais do que antes. A falsa ilusão de liberdade de escolha nada mais é do que a liberdade de escolher o que ou quem nos manipulará. Atentemo-nos.


José Melo, 03 de fevereiro de 2022



5 de janeiro de 2017

E continuam as andanças dos "Zés" ...

"(...) Com quinze quilômetros para andar, um homem tem seu vagar a pensar, dá balanço à vida (...) o tempo aqueceu, a mochila já não pesava muito, mas bambeava  escorregando do ombro, aqui me sentei a descansar, uns tantos metros fora da estrada, não longe, mas coberto, estendi dobrada a manta por causa da umidade do chão, pousei a cabeça na mochila e adormeci, tinha tempo para chegar onde quero. Sentou-se neste instante ao pé de mim uma velha muito velha, é pouca sorte minha e o que vale a ela, mas a mim não sei que me valia, a força que ela tinha, seria feitiço, pegou-me na mão, dizendo: não casarás nunca mais, nem terá mais filhos, farás cinco grandes viagens a longes terras e arruinarás a tua saúde, não terás terra tua a não ser da sepultura, não és mais do que os outros, e terás mesma essa sorte pelo tempo de seres pó e coisa nenhuma, a não ser os ossos que sobram, iguais aos de toda a gente, que irão parar a qualquer lado, aí não chega minha adivinhação, mas enquanto vivo não farás nada mal feito, ainda que te digam o contrário, e agora levanta-se que são horas. Mas sabendo que eu estava a sonhar, fiz de contas que não ouvi a ordem e deixei-me continuar a dormir. Por isso não dei conta que à minha beira também estivera uma princesa a chorar e que pegando em minha mão duríssima e calosa, ainda que tão jovem, tão jovem era (...) E então tendo esperado tanto, retirou-se a princesa arrastando sobre os tojos e as estevas o cetim do seu vestido, e por isso ao acordar, estava o mato coberto de flores brancas que antes não vira. (...)”

















20 de dezembro de 2015

Sobre a Zica que é o vírus Zika

Até uns meses atrás, a epidemia da qual mais se falava com o início do verão era a dengue. No entanto, este ano o vilão mudou. Chama-se Zika e hoje é um dos grandes receios da população brasileira e muito especialmente das mulheres grávidas.



Figura 1. O Aedes Aegypti mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya Fonte: Banco de Dados Morgue File ( http://www.morguefile.com/)

Em 2014, foi publicado um estudo que concluiu que o vírus Zika estava sofrendo um processo importante de mutações e que já era possível definir duas linhagens diferentes do vírus: a Africana e a Asiática [1]. É esta última linhagem que circula neste momento no Brasil, Colômbia, Chile, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.[2]

Em fevereiro de 2015, foram notificados ao Ministério da Saúde cerca de 6.800 casos de doença exantemática, ou seja, com erupções vermelhas na pele, sem causa definida na Região Nordeste. Todos os casos apresentaram evolução benigna e cura espontânea. Em 29 de abril, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia anunciaram a identificação do vírus Zika como causador dessa doença. Atualmente, o vírus já foi identificado em 20 estados brasileiros, só estando livres Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre [3]. No entanto, acreditamos que é apenas uma questão de tempo para que surjam casos nestes estados.

Neste momento, as dúvidas predominam muito em relação às certezas sobre como se transmite o vírus e que doenças pode causar.

Até agora, sabe-se com certeza que o vírus é transmitido pelo mosquito Aedesaegypti, no caso do Brasil. Existem suspeitas de que seja transmitido pelo leite materno, pela placenta, durante o parto e também pela saliva e pelo sêmen [2,4]. Apesar disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde), assim como o CDC-Center for Desease Control (centro para controle de doenças dos EUA) e o ECDC (CDC da União Europeia), não admitem que estejam comprovadas estas vias de transmissão.

Até ao momento, só a doença exantemática é comprovadamente causada de forma direta pelo vírus Zika. A síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia em recém-nascidos, filhos de mães que contraíram Zika durante a gravidez, estão relacionadas com a infecção, mas ainda não se tem a certeza de por qual mecanismo.

80% das pessoas infectadas pelo vírus não apresentam qualquer sintoma e 20% apresentam uma síndrome com a presença de erupções vermelhas na pele (exantema) e coceira, febre, conjuntivite, dores musculares e das articulações e cefaleia. Nem todos os sintomas estão presentes, os três primeiros referidos são os mais comuns. E este fato, o da infecção pelo Zika Vírus ser silenciosa, que reside o grane risco para as gestantes e filhos(as). Então a máxima do verão continua valendo, elimine os possível focos de reprodução do Aedes Aegypti como água parada etc, etc, etc...Realmente tal ação é importante!!!

Referências*:

[1] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3888466/

[2] http://ecdc.europa.eu/en/healthtopics/zika_virus_infection/factsheet-health-professionals/Pages/factsheet_health_professionals.aspx

[3] Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2015

[4] http://www.eurosurveillance.org/ViewArticle.aspx?ArticleId=20751


* Ops, ops... hehe: Aqui não me importo com as normas de citação e referências da ABNT, este espaço é livre de regras e farei tudo para facilitar a vida de meu leitor!!! 

1 de novembro de 2015

Uma pequena pausa na temática deste blog para fazer uma pequena denúncia

Caros leitores, ao defender o direito de manifestação de cidadãos e cidadãs em um grupo de professores estaduais (MG), fui vítima de uma tentativa frustrada  de repressão (ops!!!) de constrangimento! Um perfil "fake" fora desmascarado. Quem diria, por mim. Acho que estou ficando perito em semiótica. Vejam e tirem suas próprias conclusões. O que tal instituição pública mineira pensa estar fazendo? Afinal, que tempos são esses???

15 de outubro de 2015

Bella Natura!!! Pedra que Engole - Parque Nacional da Serra da Bocaína (RJ)

O Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica. Este lugar quase intocado só existe até hoje devido a histórica resistência das comunidades tradicionais que ocupam e defendem fauna e flora da região. Portugueses e franceses, entre os anos de 1555 e 1560, guerrearam entre si para colonizá-la. Venceria o embate aquele grupo que primeiro conquistasse a confiança dos indígenas. Por que os tão superiores brancos europeus, com suas armas mortais, com suas lanças, espadas e com seus poderosos canhões abastecidos com ferro e pólvora precisavam da ajuda dos índios? Simplesmente porque sem eles e sem o conhecimento que o índios detinham, os europeus morreriam facilmente. Não na guerra entre os brancos, mas na mata e em seus mistérios fascinantes!!! Venceram os portugueses, que logo após aprenderem tudo que necessitavam principalmente com os Guaranis, exterminaram grande parte dos demais nativos...E ainda há aqueles que acham que existe fraternidade européia! Todavia os filhos deles, dos brancos e índios, após algumas gerações deram um belo pé na bunda dos gringos!!! Parabéns aos Tupinambás, Tupiniquins, Guaranis e Caíçaras. Preservar, resistir e lutar é preciso!!

18 de maio de 2015

Aquela história mal contada

Dossiê Jango... A história se repete? Não meus caros, a história não se repete a não ser como farsa. Certa vez, um personagem em uma peça de teatro que eu não me lembro o nome disse: "Parecendo real, nada é verdade".

20 de abril de 2015

FELIZ DIA DO ÍNDIO!!! A primeira expropriação de terras na região do Sul de Minas Gerais, foi a expropriação das terras indígenas

Os principais fatores históricos que levaram a fixação de pessoas e a ocupação do território que hoje pertencente ao município de Lavras-MG foram as descobertas de jazidas de ouro em Minas e o movimento conhecido como bandeirantismo. Pelo menos essa é a visão mais amplamente divulgada pela historiografia tradicional. Todavia, como muitos estudos já apontaram, antes da corrida do ouro em Minas nossa região não era desabitada. Viviam aqui segundo Vilela (2014) o povo Cataguá, ou Cataguases, um dos 73 povos indígenas identificados no território mineiro, e dentre eles talvez este fosse grupo que mais ofereceu resistência à conquista dos bandeirantes.  O predomínio de tais tribos era tão grande que primitivamente o território de Minas era conhecido como o “País dos Cataguás” e “Campos Gerais dos Cataguases”, denominações que só desapareceram depois de criada a Capitania de Minas, separada de São Paulo em 1720 (VILELA, 2007).  

Índios - Figura. Autor: Johann Moritz Rugendas. Fonte: [fi] Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. Disponível no bando de ddos (imagens) do site www.dominiopublico.gov.br 


Silveira (2004, apud Vilela 2014, p. 47) revela que os Cataguases pertenciam ao grupo ou tapuia, e eram na sua maioria nômades ou seminômades não por vocação, mas por condições adversas do meio. A obra de Vilela (ob. cit. ) não expressa nada a este respeito, mas penso que o nomadismo, ou tendência ao nomadismo, deste povo permitiu que os “invasores” expulsassem os indígenas destas terras. O que o este autor afirma é que os bandeirantes com o apoio da nação Tremembé foram repelindo os indígenas Cataguá do Sul-Sapucaí e Rio Grande para o oeste de Minas, Rio das Mortes, Piumhi, Itapecerica e Abaeté, ao longo do século XVII.

Este episódio, ou sequencias de episódios, revela(m) que a fixação e fundação dos primeiros arraiais na região hoje denominada campos das vertentes e sul de minas se deu a partir de grandes expropriações de terras.  Ou seja a fixação de paulistas, portugueses, e de seus escravos ente os rios Sapucaí, Grande e das Mortes, como observa Vilela (2014) e Silveira (ob. cit, p.48) decorreu de uma vitória em guerra territorial. Lima (1968) relata que:

“o escriba real Bento Pereira Souza Coutinho escrevendo ao rei de Portugal em 1694, sobre a descrição dos caminhos percorridos pela expedição de Fernão Dias, mencionando sobre a colina dos ferozes Cataguases fora alcançada pela força das armas quando concluía a primeira etapa da destemida bandeira antes de fundar o arraial de Ibituruna próximo à cachoeira Afunilada do Rio Grande.

Vilela (2007) ressalta que relação desta luta com a história de Lavras provavelmente está ligada a denominação do ribeirão vermelho, entre a serra da Bocaína e as matas do Rio Grande, que entretanto, serviu de palco para o que certamente foi uma violenta batalha entre os bandeirantes e os índios, quando então o sangue derramado pelos corpos lançados nesse ribeirão, tingiram simbolicamente, suas águas de vermelho. No município de Ribeirão Vermelho encontram-se dois sítios arqueológicos pré-coloniais. Eles são legados que testemunham nosso triste passado!!!

Referências Bibliográficas
LIMA, J. de S. Lavras de Ouro e das Escolas. Tribuna de Lavras, 1968.
SILVEIRA, A. da. Ao longo da trilha: lembranças da infância de Minas. Belo Horizonte. Ed. do Autor, 2004.
VILELA, M. S. A formação Histórica dos Campos de Sant´ana das Lavras do Funil. Lavras: Ed. Indi, 2007, 449p.
VILELA, M. S. Minha Aldeia: a perola do Rio Grande. Lavras: Ed. Indi. 2014. 736p.

9 de março de 2015

Canoa indígena construída provavelmente no século XVII é encontrada no Sul de Minas Gerais

Viva o povo Cataguá, cruelmente dizimado (ops!!!) infelizmente conquistado pelo movimento das bandeiras. Muito além de ser somente uma piroga encontrada, trata-se de um grande resquício da presença dos Cataguases em terras sul-mineiras!!! Nossos primos (com certeza em todos os Mineiros corre sangue cataguá), nossa história. 

Piroga indígena. Embarcação datada de 1610 foi achada em outubro do ano passado. 
Foto publicada pelo site EM Digital. Direitos autorais preservados 

Veja a matéria completa publicada pelo Estado de Minas no link abaixo:

5 de março de 2015

Retomada do "ConteMpHoraNeo", um blog que é o mesmo e também será o não mesmo... Ok, ok!!! Confuso, mas vou tentar explicar

Após um longo interstício, uma longa pausa, uma ausência que já estava se mostrando permanente por aqui, estou de volta!!! Ou melhor, uma parte de mim, o meu blog “O ConteMpHoraNeo”, está de volta!!!  Vou confessar que tal pausa foi extremamente incômoda, pois apesar de escrever mal (e muito mal, terrivelmente, grotescamente mal ) de certo modo eu gosto e preciso escrever. Escrever sobre as coisas que vejo, sobre as coisas que sinto, sobre as coisas que penso, suspeito que tal necessidade é a manifestação de minha alma. Não alma no sentido espiritual, divino e imaculado, não acredito nisso, mas alma no sentido de que sou humano e há algo em mim que ainda se sensibiliza com "as realidades", desde as mais patéticas e simples até as mais graves e complexas. 
O principal motivo de reativar este blog está no fato de eu ter iniciado uma nova etapa de minha trajetória acadêmica, há cerca de um mês iniciei meus estudos na Pós-Graduação em um curso de Especialização em Educação Ambiental com Ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis oferecido pelo Cead da Universidade Federal de Lavras.  Uma das atividades de uma disciplina introdutória deste curso foi a construção de um blog. Como tal tarefa não é bem uma novidade para mim, ao invés de construir uma nova página resolvi reativar esta, até como uma forma de resistência, de reconstrução, de retomada de um antigo projeto que há muito tempo estava esquecido, sendo deixado de lado cedendo ao “boom” das redes sociais que cada vez mais hegemonicamente vem enterrado a interessante ferramenta do blog, este estranho ciberespaço que ainda permite a autoria em tempos que Chaplin certamente adjetivaria como ultramodernos. 
Bom devido a essa nova fase, devido a este meu novo curso, haverá aqui um rompimento temático. Deixarei de versar sobre a vida, o universo e tudo mais (quase como Douglas Adams fazia) para restringir, pelo menos um pouco, as postagens a temas referentes à Educação Ambiental (Crítica, sempre Crítica). Então nova etapa, novas inquietações, novas reflexões!!! Espero fomentar boas discussões e com elas contribuir para construção de novos conhecimentos e experiências juntamente com os demais colegas de meu curso. Logo, sejam bem vindos, espero provocá-los e ser provocado!!!


E para começar, nada melhor que um clássico. Quem aí não conhece a seguinte obra? Quem gostaria de comentá-la por aqui? Que tal debatermos o conceito de Educação Ambiental Crítica?






17 de março de 2014

REVOLTA

REVOLTA, REVOLTA, REVOLTA.....
REVOLTA, REVOLTA, REVOLTA...


Absurdamente revoltante..... “Minha filha falou que ela ia comprar R$ 3 de pão e R$ 3 de mortadela”, conta uma testemunha.

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/03/rj-mulher-baleada-durante-operacao-foi-arrastada-por-viatura-policial.html

Cabe uma reflexão para meus alunos, amigos e colegas...

"Desgraçadamente estamos a passar das promessas do Estado-providência à realidade que é o Estado-vampiro. Ao mesmo tempo que os impostos diretos e indiretos sobem, o Estado foge às suas obrigações e deixa os cidadãos sob a égide do caos. Auguro que mais cedo ou mais tarde, o cidadão terá de fazer a si mesmo a pergunta: A quem está servindo um Estado que não nos serve? Então alguma coisa poderá começar a mudar.".

Essas são palavras do Grande Saramago...

Depois de ver nos noticiários e de ler a reportagem acima penso que chegou a hora de refazermos a pergunta de nosso saudoso José - "
A quem está servindo um Estado que não nos serve?" ... Muitos falam que a "periferia" é violenta, que os "pobres" são violentos... Esses muitos sim são os verdadeiros pobres, pobres de alma, desprovidos de sensibilidade, desprovidos de autocrítica, desprovidos de qualquer faculdade mental!!! Como essas "pessoas de bem" de nossa grotesca "classe média" não conseguem perceber que os moradores da periferia, e não só aqueles dos grandes centros urbanos, ainda vivem em estado de exceção??? O AI-5 ainda vigora nas periferias brasileiras... O sujeito não é cidadão de direito, nas pequenas ruas e vielas, qualquer um pode ser morto, preso, subjugado e julgado por verdadeiros criminosos ou por um Estado cruelmente violento... E agora que as desigualdades saltam a nossos olhos, o que vamos fazer? Vamos ter medo de que tais desigualdades afetem nossa situação de estabilidade e segurança, conforto ou bem-estar? Devemos defender o Código de Hamurabi, como a opinião publica defende e prega a todos os cantos? Não, óbvio que não! DEvemos nos unir e questionar a norma vigente, temos que ver que boa parte de nossa população sofre com os maiores absurdos imagináveis. Devemos esperar deste povo, dos "periféricos", a revolta! E que nos revoltemos também...

Dia histórico para Ciência moderna

Dia histórico para Ciência moderna....

Hoje, dia 17 de março de 2014 foi anunciada uma das maiores descobertas da Astrofísica: a observação de ondas gravitacionais utilizando a Radiação Cósmica de Fundo. O que isso significa? Pela primeira vez, ecos diretos do Big Bang foram detectados. Simplesmente sensacional....

Esta descoberta é muito importante, pois poderá fornecer informações sobre os primeiros momentos do Universo. Entenda melhor:

http://www.planetariodorio.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=3268%3Apolariza%C3%A7%C3%A3o-da-radia%C3%A7%C3%A3o-c%C3%B3smica-de-fundo&Itemid=290

20 de dezembro de 2012

Porque o mundo não vai acabar?



Caroline Dodds Pennock



Se você acredita no Daily Mail, estamos todos convencidos de que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012.

Aparentemente pessoas estão armazenando comida e armas, fugindo para vilas remotas e dirigindo-se a montanhas místicas de onde ‘uma nave-mãe extraterrestre’ abrigada há séculos em um templo alienígena dentro da montanha ‘colherá os crédulos à segurança’ . ‘Com apenas dez dias até o apocalipse maia supostamente lançar a Terra no oblívio, o tempo está acabando para que os crédulos encontrem a salvação alienígena’, proclama o Mail.

Então por que toda a histeria recente? De acordo com o mito maia, o mundo foi criado em 11 de agosto de 3114 a.C. no Calendário Gregoriano; ou 13.0.0.0.0 pela contagem maia. Essa criação foi a quarta encarnação do mundo, com a era anterior terminando depois do décimo terceiro b’ak’tun (um ciclo de 400 anos).

Em 21 de dezembro será novamente 13.0.0.0.0 e o ‘Grande Ciclo’ será completado, levando o décimo terceiro b’ak’tunda era atual ao fim.

Algumas traduções dos glifos de uma estela Maia parcialmente ilegível sugerem que o fim do b’ak’tun atual será a ‘descida’ do deus Bolon Yookte’K’Uh (por vezes traduzido como ‘Deus dos Nove Pés’). Essa convergência de datas e profecias foi vista como marco da transição para o próximo mundo e, portanto, o fim deste.

Durante muitos anos, a escassez de referências de calendário a datas pós-2012 também foi vista como uma possível indicação de um fim do mundo cataclísmico em dezembro.

Mas, tirando a parte prática (quer dizer, quantos de vocês têm um calendário que vai até 2406 – um b’ak’tun no futuro?), até mesmo essa tênue evidência foi refutada pela descoberta de um antigo mural maia em Xultún, que inclui cálculos cosmológicos e de calendário que se esticam cerca de sete mil anos no futuro.

Certamente os maias pré-colombianos podem ter considerado 21 de dezembro de 2012 como uma data simbólica, um momento de possível transformação. Mas será que isso significa o fim do mundo?

É fácil zombar do Daily Mail (fácil demais...), mas para algumas pessoas o prospecto do apocalipse é um temor muito real.

David Morrison, do Instituto de Astrobiologia da NASA, conta que já recebeu milhares de perguntas sobre as previsões do fim do mundo em 2012. Algumas delas vinham de pessoas que estavam considerando o suicídio, porque estavam aterrorizadas com a ideia de passar pelo fim do mundo. Algumas pessoas estão clara e profundamente perturbadas com a recente obsessão com o apocalipse; mas o fato de as origens de seus medos jazerem em uma profecia maia altamente questionada e extremamente tênue é uma situação fascinante e desconcertante.  

De acordo com as lendas maias registradas eloquentemente no Popol Vuh do século 16, humanos foram criados nesse ‘quarto mundo’ quando os deuses moldaram nossos ancestrais a partir de massa de milho, massa de pão, mesmo, (depois de tentativas malsucedidas de criar homens a partir de macacos, madeira e barro).

Duvido que muitos dos que estão se ‘preparando’ para o fim do mundo ou para uma ascensão às estrelas com seus suseranos alienígenas, acreditem em mitos da criação pré-colombianos.

Mesmo se tivéssemos evidências conclusivas da crença maia no apocalipse de 2012, por que eles acreditariam em mitos de destruição? E se você não acredita em mim, por que não ouvir o que os próprios maias têm a dizer? Os maias modernos veem o ‘apocalipse’ como uma invenção europeia. Para eles, o fim do b’ak’tun é uma era de renovação e celebração, um novo começo, não um fim.

Então, apesar do espectro do fim iminente, vou continuar minhas compras de Natal, e esperar minha iminente licença de pesquisa, segura com o conhecimento de que os maias antigos não acreditavam que o mundo acabaria na sexta-feira. E mesmo que eles acreditassem, eu não acredito. 


In:Página Scientific Americam Brasil http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/porque_o_mundo_nao_vai_acabar_nesta_semana.html

17 de outubro de 2012

Estamos mudando?

Com a publicação de ‘A origem das espécies’, Charles Darwin mostrou que somos uma espécie como as outras, e que a diferença principal entre nossa espécie e as demais é a cultura. Mas será que ela influencia a evolução de fatores biológicos?


Por: Francisco M. Salzano
Publicado em 16/10/2012 | Atualizado em 16/10/2012




As interpretações das relações entre biologia e cultura mudam ao longo dos tempos. Se antes se supunha que fatores biológicos determinavam a formação de traços culturais, hoje acredita-se na influência mútua entre elas. (ilustração: Luciana Araújo Lumyx)


Uma etapa decisiva para a nossa visão de mundo ocorreu em 1859. Nesse ano, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) publicou A origem das espécies. Anteriormente, acreditava-se que o mundo teria sido criado por uma entidade divina em uma versão estática e, portanto, as condições atuais seriam iguais às existentes no início. Essa criação teria acontecido em apenas sete dias e em época relativamente recente.
Opiniões divergentes eram consideradas heresia, e poderiam levar seu autor à prisão, ao julgamento pelos tribunais da Inquisição e, em muitos casos, à morte, queimado em uma fogueira diante de uma multidão de fiéis.
Isso mudou com a publicação de A origem das espécies. Desde então, as ideias de Darwin foram submetidas a cuidadoso exame e, com o surgimento de novas técnicas de análise do material genético, revistas e ampliadas.
Apesar das revisões, o eixo principal da teoria darwiniana permanece intacto: o fator principal que determina a evolução orgânica é a seleção natural. Nesse processo, a variação natural dos indivíduos, devido a erros aleatórios na duplicação do material genético (o ácido desoxirribonucleico, ou DNA) durante a reprodução, está sujeita a uma seleção, porque as alterações influem na viabilidade ou na fertilidade de cada indivíduo e isso favorece (ou não) a transmissão de seus genes para a próxima geração.


Charles Darwin mudou radicalmente a nossa visão de mundo ao propor, junto com Alfred Wallace, a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural. (foto: Wikimedia Commons)


O casamento feliz entre a evolução e a genética (chamado de ‘síntese moderna’) ocorreu a partir da década de 1930, por meio do trabalho de cientistas de grande importância. Entre eles, pode-se destacar, por sua relação com o Brasil, onde viveu por muitos anos, o geneticista russo, naturalizado norte-americano, Theodosius Dobzhansky (1900-1975).
A ‘síntese moderna’ e outros avanços mais recentes – entre eles a elucidação da estrutura do material genético, as técnicas de manipulação do DNA e os desenvolvimentos da bioinformática e da nanotecnologia – podem ser caracterizados como verdadeiras revoluções científicas.


Apenas mais uma espécie?

A linhagem evolutiva que originou o Homo sapiens começou a se diferenciar, há 7 milhões de anos, de outra que agora é representada por chimpanzés e gorilas. O que nos diferencia de nosso parente mais próximo, o chimpanzé?
Embora os genomas dessas duas espécies sejam cerca de 98% idênticos, ninguém confunde um humano com um chimpanzé, e talvez as diferenças mais marcantes sejam: (a) o tamanho e a estrutura do cérebro, com capacidades médias cranianas de 1.350 cm3 e 450 cm3, respectivamente; (b) o bipedalismo, muito mais desenvolvido – e permanente – em humanos; (c) a linguagem, ou seja, a combinação de sons básicos (fonemas) para formar palavras e de palavras para formar sentenças, o que não ocorre em qualquer sistema de comunicação de chimpanzés; e (d) a cultura, ou seja, a elaboração de artefatos materiais e conceitos abstratos, quase exclusiva do H. sapiens.
Então, podemos ser distinguidos de outras espécies por meio da cultura. Mas o que é cultura? Dizem que há tantas definições de cultura quanto antropólogos, cada um salientando aspectos específicos do processo (ver ‘Chimpanzés têm cultura?’, na CH290, disponível, para assinantes, no acervo digital).
Pode-se, em todo o caso, caracterizá-la como o complexo de crenças, valores, comportamentos e tradições associado a uma população – para tornar o conceito mais acessível a comparações, inclusive entre espécies, pode-se expressá-lo como a informação capaz de afetar o comportamento individual adquirido por meio do ensino, da imitação e de outras formas de aprendizagem social. O termo informação inclui conhecimento, crenças, valores e habilidades, que se expressam tanto no comportamento quanto em artefatos.
As interpretações sobre as relações entre biologia e cultura têm sofrido uma evolução curiosa ao longo dos tempos. De início, supunha-se que fatores biológicos determinariam de maneira estrita a capacidade de adquirir e transmitir traços culturais. Mais tarde, em especial devido aos trabalhos do antropólogo alemão, naturalizado norte-americano, Franz Boas (1858-1942), passou-se a questionar se a biologia teria qualquer influência nesse processo. Hoje, acredita-se em uma interação entre biologia e cultura, com influências mútuas.
O que ninguém questiona é que as taxas de mudança nos processos biológicos e nos culturais são marcadamente diferentes. O ritmo da evolução cultural é muito mais acelerado. Dois fatores explicam isso: a transmissão de uma novidade biológica (mutação) só pode ser feita por seu portador a descendentes diretos, enquanto a novidade cultural pode se espalhar rapidamente por informação entre pessoas não relacionadas, por aprendizagem professor-aluno e pela imitação de pessoas célebres, além da difusão por imprensa, rádio, televisão e internet.
Para dar uma ideia da rapidez da evolução cultural, basta lembrar que apenas 12 mil anos separam a tecnologia do arco e flecha da que produziu as estações espaciais!
Hoje, grande número de pesquisadores investiga de que maneira esses dois fatores (biologia e cultura) podem influenciar um ao outro. Há toda uma área de estudos relacionada a modelos matemáticos de coevolução gene-cultura, envolvendo, por exemplo, a cooperação dentro de e entre comunidades, os tabus de incesto, bem como o comportamento sexual e crenças de paternidade.


Fonte: Ciência Hoje Online - Edição 297. Outubro de 2012, Disponível em:

17 de setembro de 2012

PROGRAMAÇÃO – 6ª PRIMAVERA DOS MUSEUS
Coordenada pelo Ibram/MinC, a Primavera dos Museus é um evento anual e tem por objetivo chamar a atenção de museus e sociedade para o debate em torno de assuntos da atualidade. A partir do tema sugerido neste ano, "A Função social dos Museus", o Museu de História Natural da UFLA preparou diversas atividades como seminários, exposições, oficinas e ações educativas. Veja abaixo a programação: