20 de dezembro de 2015

Sobre a Zica que é o vírus Zika

Até uns meses atrás, a epidemia da qual mais se falava com o início do verão era a dengue. No entanto, este ano o vilão mudou. Chama-se Zika e hoje é um dos grandes receios da população brasileira e muito especialmente das mulheres grávidas.



Figura 1. O Aedes Aegypti mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya Fonte: Banco de Dados Morgue File ( http://www.morguefile.com/)

Em 2014, foi publicado um estudo que concluiu que o vírus Zika estava sofrendo um processo importante de mutações e que já era possível definir duas linhagens diferentes do vírus: a Africana e a Asiática [1]. É esta última linhagem que circula neste momento no Brasil, Colômbia, Chile, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.[2]

Em fevereiro de 2015, foram notificados ao Ministério da Saúde cerca de 6.800 casos de doença exantemática, ou seja, com erupções vermelhas na pele, sem causa definida na Região Nordeste. Todos os casos apresentaram evolução benigna e cura espontânea. Em 29 de abril, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia anunciaram a identificação do vírus Zika como causador dessa doença. Atualmente, o vírus já foi identificado em 20 estados brasileiros, só estando livres Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre [3]. No entanto, acreditamos que é apenas uma questão de tempo para que surjam casos nestes estados.

Neste momento, as dúvidas predominam muito em relação às certezas sobre como se transmite o vírus e que doenças pode causar.

Até agora, sabe-se com certeza que o vírus é transmitido pelo mosquito Aedesaegypti, no caso do Brasil. Existem suspeitas de que seja transmitido pelo leite materno, pela placenta, durante o parto e também pela saliva e pelo sêmen [2,4]. Apesar disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde), assim como o CDC-Center for Desease Control (centro para controle de doenças dos EUA) e o ECDC (CDC da União Europeia), não admitem que estejam comprovadas estas vias de transmissão.

Até ao momento, só a doença exantemática é comprovadamente causada de forma direta pelo vírus Zika. A síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia em recém-nascidos, filhos de mães que contraíram Zika durante a gravidez, estão relacionadas com a infecção, mas ainda não se tem a certeza de por qual mecanismo.

80% das pessoas infectadas pelo vírus não apresentam qualquer sintoma e 20% apresentam uma síndrome com a presença de erupções vermelhas na pele (exantema) e coceira, febre, conjuntivite, dores musculares e das articulações e cefaleia. Nem todos os sintomas estão presentes, os três primeiros referidos são os mais comuns. E este fato, o da infecção pelo Zika Vírus ser silenciosa, que reside o grane risco para as gestantes e filhos(as). Então a máxima do verão continua valendo, elimine os possível focos de reprodução do Aedes Aegypti como água parada etc, etc, etc...Realmente tal ação é importante!!!

Referências*:

[1] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3888466/

[2] http://ecdc.europa.eu/en/healthtopics/zika_virus_infection/factsheet-health-professionals/Pages/factsheet_health_professionals.aspx

[3] Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2015

[4] http://www.eurosurveillance.org/ViewArticle.aspx?ArticleId=20751


* Ops, ops... hehe: Aqui não me importo com as normas de citação e referências da ABNT, este espaço é livre de regras e farei tudo para facilitar a vida de meu leitor!!! 

1 de novembro de 2015

Uma pequena pausa na temática deste blog para fazer uma pequena denúncia

Caros leitores, ao defender o direito de manifestação de cidadãos e cidadãs em um grupo de professores estaduais (MG), fui vítima de uma tentativa frustrada  de repressão (ops!!!) de constrangimento! Um perfil "fake" fora desmascarado. Quem diria, por mim. Acho que estou ficando perito em semiótica. Vejam e tirem suas próprias conclusões. O que tal instituição pública mineira pensa estar fazendo? Afinal, que tempos são esses???

15 de outubro de 2015

Bella Natura!!! Pedra que Engole - Parque Nacional da Serra da Bocaína (RJ)

O Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica. Este lugar quase intocado só existe até hoje devido a histórica resistência das comunidades tradicionais que ocupam e defendem fauna e flora da região. Portugueses e franceses, entre os anos de 1555 e 1560, guerrearam entre si para colonizá-la. Venceria o embate aquele grupo que primeiro conquistasse a confiança dos indígenas. Por que os tão superiores brancos europeus, com suas armas mortais, com suas lanças, espadas e com seus poderosos canhões abastecidos com ferro e pólvora precisavam da ajuda dos índios? Simplesmente porque sem eles e sem o conhecimento que o índios detinham, os europeus morreriam facilmente. Não na guerra entre os brancos, mas na mata e em seus mistérios fascinantes!!! Venceram os portugueses, que logo após aprenderem tudo que necessitavam principalmente com os Guaranis, exterminaram grande parte dos demais nativos...E ainda há aqueles que acham que existe fraternidade européia! Todavia os filhos deles, dos brancos e índios, após algumas gerações deram um belo pé na bunda dos gringos!!! Parabéns aos Tupinambás, Tupiniquins, Guaranis e Caíçaras. Preservar, resistir e lutar é preciso!!

18 de maio de 2015

Aquela história mal contada

Dossiê Jango... A história se repete? Não meus caros, a história não se repete a não ser como farsa. Certa vez, um personagem em uma peça de teatro que eu não me lembro o nome disse: "Parecendo real, nada é verdade".

20 de abril de 2015

FELIZ DIA DO ÍNDIO!!! A primeira expropriação de terras na região do Sul de Minas Gerais, foi a expropriação das terras indígenas

Os principais fatores históricos que levaram a fixação de pessoas e a ocupação do território que hoje pertencente ao município de Lavras-MG foram as descobertas de jazidas de ouro em Minas e o movimento conhecido como bandeirantismo. Pelo menos essa é a visão mais amplamente divulgada pela historiografia tradicional. Todavia, como muitos estudos já apontaram, antes da corrida do ouro em Minas nossa região não era desabitada. Viviam aqui segundo Vilela (2014) o povo Cataguá, ou Cataguases, um dos 73 povos indígenas identificados no território mineiro, e dentre eles talvez este fosse grupo que mais ofereceu resistência à conquista dos bandeirantes.  O predomínio de tais tribos era tão grande que primitivamente o território de Minas era conhecido como o “País dos Cataguás” e “Campos Gerais dos Cataguases”, denominações que só desapareceram depois de criada a Capitania de Minas, separada de São Paulo em 1720 (VILELA, 2007).  

Índios - Figura. Autor: Johann Moritz Rugendas. Fonte: [fi] Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. Disponível no bando de ddos (imagens) do site www.dominiopublico.gov.br 


Silveira (2004, apud Vilela 2014, p. 47) revela que os Cataguases pertenciam ao grupo ou tapuia, e eram na sua maioria nômades ou seminômades não por vocação, mas por condições adversas do meio. A obra de Vilela (ob. cit. ) não expressa nada a este respeito, mas penso que o nomadismo, ou tendência ao nomadismo, deste povo permitiu que os “invasores” expulsassem os indígenas destas terras. O que o este autor afirma é que os bandeirantes com o apoio da nação Tremembé foram repelindo os indígenas Cataguá do Sul-Sapucaí e Rio Grande para o oeste de Minas, Rio das Mortes, Piumhi, Itapecerica e Abaeté, ao longo do século XVII.

Este episódio, ou sequencias de episódios, revela(m) que a fixação e fundação dos primeiros arraiais na região hoje denominada campos das vertentes e sul de minas se deu a partir de grandes expropriações de terras.  Ou seja a fixação de paulistas, portugueses, e de seus escravos ente os rios Sapucaí, Grande e das Mortes, como observa Vilela (2014) e Silveira (ob. cit, p.48) decorreu de uma vitória em guerra territorial. Lima (1968) relata que:

“o escriba real Bento Pereira Souza Coutinho escrevendo ao rei de Portugal em 1694, sobre a descrição dos caminhos percorridos pela expedição de Fernão Dias, mencionando sobre a colina dos ferozes Cataguases fora alcançada pela força das armas quando concluía a primeira etapa da destemida bandeira antes de fundar o arraial de Ibituruna próximo à cachoeira Afunilada do Rio Grande.

Vilela (2007) ressalta que relação desta luta com a história de Lavras provavelmente está ligada a denominação do ribeirão vermelho, entre a serra da Bocaína e as matas do Rio Grande, que entretanto, serviu de palco para o que certamente foi uma violenta batalha entre os bandeirantes e os índios, quando então o sangue derramado pelos corpos lançados nesse ribeirão, tingiram simbolicamente, suas águas de vermelho. No município de Ribeirão Vermelho encontram-se dois sítios arqueológicos pré-coloniais. Eles são legados que testemunham nosso triste passado!!!

Referências Bibliográficas
LIMA, J. de S. Lavras de Ouro e das Escolas. Tribuna de Lavras, 1968.
SILVEIRA, A. da. Ao longo da trilha: lembranças da infância de Minas. Belo Horizonte. Ed. do Autor, 2004.
VILELA, M. S. A formação Histórica dos Campos de Sant´ana das Lavras do Funil. Lavras: Ed. Indi, 2007, 449p.
VILELA, M. S. Minha Aldeia: a perola do Rio Grande. Lavras: Ed. Indi. 2014. 736p.