15 de outubro de 2015

Bella Natura!!! Pedra que Engole - Parque Nacional da Serra da Bocaína (RJ)

O Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica. Este lugar quase intocado só existe até hoje devido a histórica resistência das comunidades tradicionais que ocupam e defendem fauna e flora da região. Portugueses e franceses, entre os anos de 1555 e 1560, guerrearam entre si para colonizá-la. Venceria o embate aquele grupo que primeiro conquistasse a confiança dos indígenas. Por que os tão superiores brancos europeus, com suas armas mortais, com suas lanças, espadas e com seus poderosos canhões abastecidos com ferro e pólvora precisavam da ajuda dos índios? Simplesmente porque sem eles e sem o conhecimento que o índios detinham, os europeus morreriam facilmente. Não na guerra entre os brancos, mas na mata e em seus mistérios fascinantes!!! Venceram os portugueses, que logo após aprenderem tudo que necessitavam principalmente com os Guaranis, exterminaram grande parte dos demais nativos...E ainda há aqueles que acham que existe fraternidade européia! Todavia os filhos deles, dos brancos e índios, após algumas gerações deram um belo pé na bunda dos gringos!!! Parabéns aos Tupinambás, Tupiniquins, Guaranis e Caíçaras. Preservar, resistir e lutar é preciso!!

18 de maio de 2015

Aquela história mal contada

Dossiê Jango... A história se repete? Não meus caros, a história não se repete a não ser como farsa. Certa vez, um personagem em uma peça de teatro que eu não me lembro o nome disse: "Parecendo real, nada é verdade".

20 de abril de 2015

FELIZ DIA DO ÍNDIO!!! A primeira expropriação de terras na região do Sul de Minas Gerais, foi a expropriação das terras indígenas

Os principais fatores históricos que levaram a fixação de pessoas e a ocupação do território que hoje pertencente ao município de Lavras-MG foram as descobertas de jazidas de ouro em Minas e o movimento conhecido como bandeirantismo. Pelo menos essa é a visão mais amplamente divulgada pela historiografia tradicional. Todavia, como muitos estudos já apontaram, antes da corrida do ouro em Minas nossa região não era desabitada. Viviam aqui segundo Vilela (2014) o povo Cataguá, ou Cataguases, um dos 73 povos indígenas identificados no território mineiro, e dentre eles talvez este fosse grupo que mais ofereceu resistência à conquista dos bandeirantes.  O predomínio de tais tribos era tão grande que primitivamente o território de Minas era conhecido como o “País dos Cataguás” e “Campos Gerais dos Cataguases”, denominações que só desapareceram depois de criada a Capitania de Minas, separada de São Paulo em 1720 (VILELA, 2007).  

Índios - Figura. Autor: Johann Moritz Rugendas. Fonte: [fi] Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ. Disponível no bando de ddos (imagens) do site www.dominiopublico.gov.br 


Silveira (2004, apud Vilela 2014, p. 47) revela que os Cataguases pertenciam ao grupo ou tapuia, e eram na sua maioria nômades ou seminômades não por vocação, mas por condições adversas do meio. A obra de Vilela (ob. cit. ) não expressa nada a este respeito, mas penso que o nomadismo, ou tendência ao nomadismo, deste povo permitiu que os “invasores” expulsassem os indígenas destas terras. O que o este autor afirma é que os bandeirantes com o apoio da nação Tremembé foram repelindo os indígenas Cataguá do Sul-Sapucaí e Rio Grande para o oeste de Minas, Rio das Mortes, Piumhi, Itapecerica e Abaeté, ao longo do século XVII.

Este episódio, ou sequencias de episódios, revela(m) que a fixação e fundação dos primeiros arraiais na região hoje denominada campos das vertentes e sul de minas se deu a partir de grandes expropriações de terras.  Ou seja a fixação de paulistas, portugueses, e de seus escravos ente os rios Sapucaí, Grande e das Mortes, como observa Vilela (2014) e Silveira (ob. cit, p.48) decorreu de uma vitória em guerra territorial. Lima (1968) relata que:

“o escriba real Bento Pereira Souza Coutinho escrevendo ao rei de Portugal em 1694, sobre a descrição dos caminhos percorridos pela expedição de Fernão Dias, mencionando sobre a colina dos ferozes Cataguases fora alcançada pela força das armas quando concluía a primeira etapa da destemida bandeira antes de fundar o arraial de Ibituruna próximo à cachoeira Afunilada do Rio Grande.

Vilela (2007) ressalta que relação desta luta com a história de Lavras provavelmente está ligada a denominação do ribeirão vermelho, entre a serra da Bocaína e as matas do Rio Grande, que entretanto, serviu de palco para o que certamente foi uma violenta batalha entre os bandeirantes e os índios, quando então o sangue derramado pelos corpos lançados nesse ribeirão, tingiram simbolicamente, suas águas de vermelho. No município de Ribeirão Vermelho encontram-se dois sítios arqueológicos pré-coloniais. Eles são legados que testemunham nosso triste passado!!!

Referências Bibliográficas
LIMA, J. de S. Lavras de Ouro e das Escolas. Tribuna de Lavras, 1968.
SILVEIRA, A. da. Ao longo da trilha: lembranças da infância de Minas. Belo Horizonte. Ed. do Autor, 2004.
VILELA, M. S. A formação Histórica dos Campos de Sant´ana das Lavras do Funil. Lavras: Ed. Indi, 2007, 449p.
VILELA, M. S. Minha Aldeia: a perola do Rio Grande. Lavras: Ed. Indi. 2014. 736p.

9 de março de 2015

Canoa indígena construída provavelmente no século XVII é encontrada no Sul de Minas Gerais

Viva o povo Cataguá, cruelmente dizimado (ops!!!) infelizmente conquistado pelo movimento das bandeiras. Muito além de ser somente uma piroga encontrada, trata-se de um grande resquício da presença dos Cataguases em terras sul-mineiras!!! Nossos primos (com certeza em todos os Mineiros corre sangue cataguá), nossa história. 

Piroga indígena. Embarcação datada de 1610 foi achada em outubro do ano passado. 
Foto publicada pelo site EM Digital. Direitos autorais preservados 

Veja a matéria completa publicada pelo Estado de Minas no link abaixo:

5 de março de 2015

Retomada do "ConteMpHoraNeo", um blog que é o mesmo e também será o não mesmo... Ok, ok!!! Confuso, mas vou tentar explicar

Após um longo interstício, uma longa pausa, uma ausência que já estava se mostrando permanente por aqui, estou de volta!!! Ou melhor, uma parte de mim, o meu blog “O ConteMpHoraNeo”, está de volta!!!  Vou confessar que tal pausa foi extremamente incômoda, pois apesar de escrever mal (e muito mal, terrivelmente, grotescamente mal ) de certo modo eu gosto e preciso escrever. Escrever sobre as coisas que vejo, sobre as coisas que sinto, sobre as coisas que penso, suspeito que tal necessidade é a manifestação de minha alma. Não alma no sentido espiritual, divino e imaculado, não acredito nisso, mas alma no sentido de que sou humano e há algo em mim que ainda se sensibiliza com "as realidades", desde as mais patéticas e simples até as mais graves e complexas. 
O principal motivo de reativar este blog está no fato de eu ter iniciado uma nova etapa de minha trajetória acadêmica, há cerca de um mês iniciei meus estudos na Pós-Graduação em um curso de Especialização em Educação Ambiental com Ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis oferecido pelo Cead da Universidade Federal de Lavras.  Uma das atividades de uma disciplina introdutória deste curso foi a construção de um blog. Como tal tarefa não é bem uma novidade para mim, ao invés de construir uma nova página resolvi reativar esta, até como uma forma de resistência, de reconstrução, de retomada de um antigo projeto que há muito tempo estava esquecido, sendo deixado de lado cedendo ao “boom” das redes sociais que cada vez mais hegemonicamente vem enterrado a interessante ferramenta do blog, este estranho ciberespaço que ainda permite a autoria em tempos que Chaplin certamente adjetivaria como ultramodernos. 
Bom devido a essa nova fase, devido a este meu novo curso, haverá aqui um rompimento temático. Deixarei de versar sobre a vida, o universo e tudo mais (quase como Douglas Adams fazia) para restringir, pelo menos um pouco, as postagens a temas referentes à Educação Ambiental (Crítica, sempre Crítica). Então nova etapa, novas inquietações, novas reflexões!!! Espero fomentar boas discussões e com elas contribuir para construção de novos conhecimentos e experiências juntamente com os demais colegas de meu curso. Logo, sejam bem vindos, espero provocá-los e ser provocado!!!


E para começar, nada melhor que um clássico. Quem aí não conhece a seguinte obra? Quem gostaria de comentá-la por aqui? Que tal debatermos o conceito de Educação Ambiental Crítica?