20 de dezembro de 2012

Porque o mundo não vai acabar?



Caroline Dodds Pennock



Se você acredita no Daily Mail, estamos todos convencidos de que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012.

Aparentemente pessoas estão armazenando comida e armas, fugindo para vilas remotas e dirigindo-se a montanhas místicas de onde ‘uma nave-mãe extraterrestre’ abrigada há séculos em um templo alienígena dentro da montanha ‘colherá os crédulos à segurança’ . ‘Com apenas dez dias até o apocalipse maia supostamente lançar a Terra no oblívio, o tempo está acabando para que os crédulos encontrem a salvação alienígena’, proclama o Mail.

Então por que toda a histeria recente? De acordo com o mito maia, o mundo foi criado em 11 de agosto de 3114 a.C. no Calendário Gregoriano; ou 13.0.0.0.0 pela contagem maia. Essa criação foi a quarta encarnação do mundo, com a era anterior terminando depois do décimo terceiro b’ak’tun (um ciclo de 400 anos).

Em 21 de dezembro será novamente 13.0.0.0.0 e o ‘Grande Ciclo’ será completado, levando o décimo terceiro b’ak’tunda era atual ao fim.

Algumas traduções dos glifos de uma estela Maia parcialmente ilegível sugerem que o fim do b’ak’tun atual será a ‘descida’ do deus Bolon Yookte’K’Uh (por vezes traduzido como ‘Deus dos Nove Pés’). Essa convergência de datas e profecias foi vista como marco da transição para o próximo mundo e, portanto, o fim deste.

Durante muitos anos, a escassez de referências de calendário a datas pós-2012 também foi vista como uma possível indicação de um fim do mundo cataclísmico em dezembro.

Mas, tirando a parte prática (quer dizer, quantos de vocês têm um calendário que vai até 2406 – um b’ak’tun no futuro?), até mesmo essa tênue evidência foi refutada pela descoberta de um antigo mural maia em Xultún, que inclui cálculos cosmológicos e de calendário que se esticam cerca de sete mil anos no futuro.

Certamente os maias pré-colombianos podem ter considerado 21 de dezembro de 2012 como uma data simbólica, um momento de possível transformação. Mas será que isso significa o fim do mundo?

É fácil zombar do Daily Mail (fácil demais...), mas para algumas pessoas o prospecto do apocalipse é um temor muito real.

David Morrison, do Instituto de Astrobiologia da NASA, conta que já recebeu milhares de perguntas sobre as previsões do fim do mundo em 2012. Algumas delas vinham de pessoas que estavam considerando o suicídio, porque estavam aterrorizadas com a ideia de passar pelo fim do mundo. Algumas pessoas estão clara e profundamente perturbadas com a recente obsessão com o apocalipse; mas o fato de as origens de seus medos jazerem em uma profecia maia altamente questionada e extremamente tênue é uma situação fascinante e desconcertante.  

De acordo com as lendas maias registradas eloquentemente no Popol Vuh do século 16, humanos foram criados nesse ‘quarto mundo’ quando os deuses moldaram nossos ancestrais a partir de massa de milho, massa de pão, mesmo, (depois de tentativas malsucedidas de criar homens a partir de macacos, madeira e barro).

Duvido que muitos dos que estão se ‘preparando’ para o fim do mundo ou para uma ascensão às estrelas com seus suseranos alienígenas, acreditem em mitos da criação pré-colombianos.

Mesmo se tivéssemos evidências conclusivas da crença maia no apocalipse de 2012, por que eles acreditariam em mitos de destruição? E se você não acredita em mim, por que não ouvir o que os próprios maias têm a dizer? Os maias modernos veem o ‘apocalipse’ como uma invenção europeia. Para eles, o fim do b’ak’tun é uma era de renovação e celebração, um novo começo, não um fim.

Então, apesar do espectro do fim iminente, vou continuar minhas compras de Natal, e esperar minha iminente licença de pesquisa, segura com o conhecimento de que os maias antigos não acreditavam que o mundo acabaria na sexta-feira. E mesmo que eles acreditassem, eu não acredito. 


In:Página Scientific Americam Brasil http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/porque_o_mundo_nao_vai_acabar_nesta_semana.html

17 de outubro de 2012

Estamos mudando?

Com a publicação de ‘A origem das espécies’, Charles Darwin mostrou que somos uma espécie como as outras, e que a diferença principal entre nossa espécie e as demais é a cultura. Mas será que ela influencia a evolução de fatores biológicos?


Por: Francisco M. Salzano
Publicado em 16/10/2012 | Atualizado em 16/10/2012




As interpretações das relações entre biologia e cultura mudam ao longo dos tempos. Se antes se supunha que fatores biológicos determinavam a formação de traços culturais, hoje acredita-se na influência mútua entre elas. (ilustração: Luciana Araújo Lumyx)


Uma etapa decisiva para a nossa visão de mundo ocorreu em 1859. Nesse ano, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) publicou A origem das espécies. Anteriormente, acreditava-se que o mundo teria sido criado por uma entidade divina em uma versão estática e, portanto, as condições atuais seriam iguais às existentes no início. Essa criação teria acontecido em apenas sete dias e em época relativamente recente.
Opiniões divergentes eram consideradas heresia, e poderiam levar seu autor à prisão, ao julgamento pelos tribunais da Inquisição e, em muitos casos, à morte, queimado em uma fogueira diante de uma multidão de fiéis.
Isso mudou com a publicação de A origem das espécies. Desde então, as ideias de Darwin foram submetidas a cuidadoso exame e, com o surgimento de novas técnicas de análise do material genético, revistas e ampliadas.
Apesar das revisões, o eixo principal da teoria darwiniana permanece intacto: o fator principal que determina a evolução orgânica é a seleção natural. Nesse processo, a variação natural dos indivíduos, devido a erros aleatórios na duplicação do material genético (o ácido desoxirribonucleico, ou DNA) durante a reprodução, está sujeita a uma seleção, porque as alterações influem na viabilidade ou na fertilidade de cada indivíduo e isso favorece (ou não) a transmissão de seus genes para a próxima geração.


Charles Darwin mudou radicalmente a nossa visão de mundo ao propor, junto com Alfred Wallace, a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural. (foto: Wikimedia Commons)


O casamento feliz entre a evolução e a genética (chamado de ‘síntese moderna’) ocorreu a partir da década de 1930, por meio do trabalho de cientistas de grande importância. Entre eles, pode-se destacar, por sua relação com o Brasil, onde viveu por muitos anos, o geneticista russo, naturalizado norte-americano, Theodosius Dobzhansky (1900-1975).
A ‘síntese moderna’ e outros avanços mais recentes – entre eles a elucidação da estrutura do material genético, as técnicas de manipulação do DNA e os desenvolvimentos da bioinformática e da nanotecnologia – podem ser caracterizados como verdadeiras revoluções científicas.


Apenas mais uma espécie?

A linhagem evolutiva que originou o Homo sapiens começou a se diferenciar, há 7 milhões de anos, de outra que agora é representada por chimpanzés e gorilas. O que nos diferencia de nosso parente mais próximo, o chimpanzé?
Embora os genomas dessas duas espécies sejam cerca de 98% idênticos, ninguém confunde um humano com um chimpanzé, e talvez as diferenças mais marcantes sejam: (a) o tamanho e a estrutura do cérebro, com capacidades médias cranianas de 1.350 cm3 e 450 cm3, respectivamente; (b) o bipedalismo, muito mais desenvolvido – e permanente – em humanos; (c) a linguagem, ou seja, a combinação de sons básicos (fonemas) para formar palavras e de palavras para formar sentenças, o que não ocorre em qualquer sistema de comunicação de chimpanzés; e (d) a cultura, ou seja, a elaboração de artefatos materiais e conceitos abstratos, quase exclusiva do H. sapiens.
Então, podemos ser distinguidos de outras espécies por meio da cultura. Mas o que é cultura? Dizem que há tantas definições de cultura quanto antropólogos, cada um salientando aspectos específicos do processo (ver ‘Chimpanzés têm cultura?’, na CH290, disponível, para assinantes, no acervo digital).
Pode-se, em todo o caso, caracterizá-la como o complexo de crenças, valores, comportamentos e tradições associado a uma população – para tornar o conceito mais acessível a comparações, inclusive entre espécies, pode-se expressá-lo como a informação capaz de afetar o comportamento individual adquirido por meio do ensino, da imitação e de outras formas de aprendizagem social. O termo informação inclui conhecimento, crenças, valores e habilidades, que se expressam tanto no comportamento quanto em artefatos.
As interpretações sobre as relações entre biologia e cultura têm sofrido uma evolução curiosa ao longo dos tempos. De início, supunha-se que fatores biológicos determinariam de maneira estrita a capacidade de adquirir e transmitir traços culturais. Mais tarde, em especial devido aos trabalhos do antropólogo alemão, naturalizado norte-americano, Franz Boas (1858-1942), passou-se a questionar se a biologia teria qualquer influência nesse processo. Hoje, acredita-se em uma interação entre biologia e cultura, com influências mútuas.
O que ninguém questiona é que as taxas de mudança nos processos biológicos e nos culturais são marcadamente diferentes. O ritmo da evolução cultural é muito mais acelerado. Dois fatores explicam isso: a transmissão de uma novidade biológica (mutação) só pode ser feita por seu portador a descendentes diretos, enquanto a novidade cultural pode se espalhar rapidamente por informação entre pessoas não relacionadas, por aprendizagem professor-aluno e pela imitação de pessoas célebres, além da difusão por imprensa, rádio, televisão e internet.
Para dar uma ideia da rapidez da evolução cultural, basta lembrar que apenas 12 mil anos separam a tecnologia do arco e flecha da que produziu as estações espaciais!
Hoje, grande número de pesquisadores investiga de que maneira esses dois fatores (biologia e cultura) podem influenciar um ao outro. Há toda uma área de estudos relacionada a modelos matemáticos de coevolução gene-cultura, envolvendo, por exemplo, a cooperação dentro de e entre comunidades, os tabus de incesto, bem como o comportamento sexual e crenças de paternidade.


Fonte: Ciência Hoje Online - Edição 297. Outubro de 2012, Disponível em:

17 de setembro de 2012

PROGRAMAÇÃO – 6ª PRIMAVERA DOS MUSEUS
Coordenada pelo Ibram/MinC, a Primavera dos Museus é um evento anual e tem por objetivo chamar a atenção de museus e sociedade para o debate em torno de assuntos da atualidade. A partir do tema sugerido neste ano, "A Função social dos Museus", o Museu de História Natural da UFLA preparou diversas atividades como seminários, exposições, oficinas e ações educativas. Veja abaixo a programação:
 


 

27 de maio de 2011

Penútima Palestra do Ciclo deste semestre

Próxima semana a Filosofia das Ciências Naturais será tema do Ciclo de Palestras do MHN. Compareçam...

23 de maio de 2011

Próxima Palestra no MHN...

Na próxima terça-feira, 17/05, no Ciclo de Palestras do MHN, serão apresentados alguns mistérios intrigantes de nosso universo. Na verdade a apresentação que será realizada pelo prof. José Nogales (DEX/UFLA) ganha contornos que vão além de uma palestra tradicional, digamos que será "uma breve crônica dos cosmos"... Confiram...